My Guilty Pleasure

🌸 Primavera, sol… e o que fica por dizer

Hoje demorei-me a arranjar mais do que o costume.


Não foi por indecisão... foi porque gostei do que vi.


A luz entrava devagar no meu quarto, a desenhar o corpo no espelho, sem pressa… como se soubesse exatamente onde tocar. E eu fiquei ali, a observar-me como se fosse outra pessoa. Ou talvez… mais eu do que nunca.


A saia preta já estava vestida.


Lápis, justa, a subir ligeiramente acima do joelho. Firme, quase exigente na forma como abraça cada curva. A racha lateral abria-se com discrição quando me mexia… e fechava-se logo a seguir, como um segredo que só aparece a quem estiver atento.


Passei a mão pelo tecido, devagar.


Senti-me.


A blusa veio depois... leve, branca, quase inocente… mas não totalmente. Quando a vesti, o tecido pousou sobre a pele como um sussurro. À luz, deixava adivinhar mais do que mostrava. O decote em V abria espaço suficiente para o ar, para o calor… para a minha própria respiração ganhar outra presença.


E nesse momento, fiquei quieta.


A olhar.


Não para corrigir nada. Não para esconder.


Só para sentir.


Há qualquer coisa nesta versão de mim que não pede validação. Que não precisa de ser vista para existir, mas que sabe exatamente o efeito que tem quando é.


O meu lado mais feminino não apareceu hoje.


Sempre esteve aqui.


Está na forma como sustento o olhar no espelho mais um segundo do que o necessário. Na forma como me viro, devagar, consciente do movimento da saia. Na forma como sorrio… não para alguém, mas para mim.


Hoje não me vesti para o mundo.


Vesti-me para este momento.


Para este corpo.
Para esta sensação.


E talvez ninguém saiba exatamente porquê…


mas eu sei.


E isso chega.


Mulher elegante em escritório moderno.png

0